“Eu sei que isso me faz mal, mas faço de novo”
Essa é uma frase comum na clínica psicológica. Ela costuma aparecer quando a pessoa percebe que certos comportamentos se repetem, mesmo quando existe o desejo consciente de mudança.
Não se trata, necessariamente, de um grande acontecimento isolado. Muitas vezes, o sofrimento está ligado a um modo de agir que se repete ao longo do tempo.
Essas repetições podem surgir nos relacionamentos, nas escolhas profissionais, em atitudes impulsivas, em comportamentos compulsivos ou na forma como o sujeito se coloca diante de si mesmo e do outro.
A repetição como experiência de sofrimento psíquico
Repetir não significa simplesmente “errar de novo” ou “não ter força de vontade”. Em muitos casos, a repetição está ligada a um modo de funcionamento psíquico que se estruturou ao longo da história do sujeito.
Esses padrões continuam operando mesmo quando já não fazem sentido de forma consciente. Ainda assim, produzem sofrimento.
A repetição de comportamentos pode envolver insegurança, ciúmes, necessidade de controle, medo de abandono, dificuldade de mudança ou insistência em vínculos que causam dor.
Quando o comportamento fala mais do que a intenção
É comum que exista uma distância entre aquilo que a pessoa deseja mudar e aquilo que efetivamente consegue modificar. Essa diferença costuma gerar culpa, frustração e autocrítica excessiva.
Na clínica psicanalítica, entende-se que certos comportamentos cumprem uma função psíquica. Mesmo quando produzem sofrimento, eles podem ser tentativas inconscientes de lidar com conflitos, afetos ou experiências que ainda não encontraram outra forma de expressão.
Por isso, insistir apenas em “mudar o comportamento” pode não ser suficiente.
Repetição, ansiedade e angústia
A repetição frequentemente vem acompanhada de ansiedade. O sujeito percebe o padrão, reconhece o sofrimento, mas sente que algo o impede de agir de forma diferente.
Essa tensão pode se manifestar no corpo, nos pensamentos ou nas emoções, intensificando a sensação de estar preso a um ciclo que não se rompe.
👉 Se quiser aprofundar essa relação, vale ler também “Ansiedade e sofrimento psíquico: quando a fala pede espaço”, onde a ansiedade é pensada para além dos sintomas.
O lugar da psicoterapia diante da repetição
A psicoterapia oferece um espaço onde essas repetições podem ser escutadas e elaboradas. Ao falar, o sujeito pode começar a compreender como esses padrões se articulam à sua história, aos seus vínculos e à forma como se relaciona consigo mesmo.
Muitas pessoas procuram atendimento justamente quando começam a se perguntar quando procurar um psicólogo, diante da percepção de que certos comportamentos se repetem e continuam produzindo sofrimento.
-> Para refletir sobre esse momento, você pode ler também “Quando procurar um psicólogo? Escuta, tempo e elaboração”.
A possibilidade de elaboração
Com o tempo, aquilo que antes aparecia apenas como repetição pode ganhar novos sentidos. A psicoterapia não promete eliminar rapidamente os conflitos, mas possibilita que o sujeito se reposicione diante deles.
Esse processo abre espaço para escolhas menos automatizadas e para uma relação diferente com o próprio sofrimento.
Um convite
Se você percebe que certos comportamentos se repetem na sua vida, mesmo com o desejo de mudança, a psicoterapia pode ser um espaço de escuta, compreensão e elaboração.
Se este texto dialoga com a sua experiência, fique à vontade para entrar em contato e conhecer melhor o atendimento psicológico.


